Observatórios de Turismo: o que são e por que sua cidade precisa de um
Observatório não se avalia pela estrutura, se avalia pelo que ele publica. Este artigo mapeia o primeiro ano de um Observatório de Turismo municipal: o que sai nos primeiros 90 dias, o que a frequência de cada indicador permite publicar ao longo do ciclo e o que só fecha no décimo segundo mês.
Daniel Malk · 23 de julho de 2025 · 5 min de leitura

Observatório de turismo não se avalia pela estrutura montada, e sim pelo que ele publica. A pergunta que decide se o projeto sobrevive ao primeiro ano é simples: o que sai, e quando.
A resposta não depende de tamanho de equipe. Depende da frequência de coleta de cada indicador, que é fixada no Manual da Matriz da RITS-SP, e dos prazos formais de adesão à rede. Os dois juntos desenham o calendário do primeiro ano.
Nos primeiros 90 dias: o relatório inicial
Se o município aderiu à RITS-SP, esse é o primeiro produto com prazo. Depois de enviar o formulário de adesão, o município tem 90 dias corridos para submeter o relatório inicial, demonstrando resultados de monitoramento de pelo menos um indicador em cada um dos quatro eixos da Matriz.
Há uma condição anterior que muda tudo, e é onde a maioria trava: o art. 7º da Resolução SETUR-SP nº 34/2025 exige dados retroativos a pelo menos 12 meses da data da solicitação. Ou seja, o relatório inicial não é o começo da coleta. É a apresentação de uma coleta que já vinha acontecendo.
Município que monta o observatório do zero e adere no mesmo mês não tem o que apresentar em 90 dias. A ordem correta é começar a registrar, esperar completar o ano de série, e só então solicitar a adesão.
Ao longo do ano: o que a frequência permite publicar
Cada indicador da Matriz tem uma frequência de coleta definida, e é ela que determina o que existe para publicar em cada mês do primeiro ano.
Mensal. Taxa de ocupação nos meios de hospedagem, chegadas em terminais rodoviários, chegadas em aeroportos, chegadas em transporte de fretamento e empregos formais diretos no turismo. São os cinco indicadores que sustentam qualquer publicação periódica. A partir do segundo mês já há comparação; a partir do terceiro, tendência.
Semestral, com dados mensais discriminados. Gestão de energia e gestão de água e esgoto. O acordo com as concessionárias prevê envio a cada seis meses, mas os dados vêm abertos mês a mês, então o observatório consegue série mensal com duas entregas por ano.
Anual. Arrecadação de ISS do turismo, qualidade das praias e águas interiores, gestão de resíduos sólidos, acessibilidade, satisfação local, plano de manejo, COMTUR e plano diretor. Oito indicadores que só fecham uma vez por ciclo. No caso do ISS, a coleta é anual mas alimentada por envio mensal da Secretaria de Fazenda, o que significa que o acordo precisa estar em pé desde o primeiro mês.
A leitura prática: no primeiro semestre o observatório publica basicamente o eixo econômico mensal. Ambiental, sociocultural e governança só produzem material no fechamento.
No fim do ciclo: o relatório anual
O relatório anual é o produto que consolida o ano e é ele que alimenta os instrumentos formais do município. Dois indicadores da Matriz são monitorados exatamente por ele: COMTUR e Plano Diretor de Desenvolvimento Turístico não pedem planilha de controle, pedem relatório anual de atividades, produzido pelo observatório ou pelo próprio órgão de turismo.
O Manual também orienta que o monitoramento inclua estudo comparativo com anos anteriores. No primeiro ano não há com o que comparar, e isso é esperado. O valor do primeiro relatório é ser a linha de base do segundo.
Os formatos de divulgação
O CIET/SETUR-SP recomenda três formatos, e eles se distribuem naturalmente pelo calendário acima.
Boletins mensais, que é onde os cinco indicadores de frequência mensal aparecem. Painéis interativos, para consulta contínua. E relatórios periódicos, que incluem o inicial dos 90 dias e o anual de fechamento.
Um observatório que só publica no fim do ano existe no papel e não existe na rotina da secretaria. O boletim mensal é o que mantém o instrumento vivo entre um relatório e outro, e é barato: ele se alimenta de bases que o município consulta de qualquer forma, como o Novo CAGED, a ANTT e a ANAC.
O passo concreto
- Monte o calendário do primeiro ano antes de coletar qualquer dado, marcando o que é mensal, o que é semestral e o que é anual.
- Comece pelos cinco indicadores mensais. São eles que dão material para publicar já no segundo mês.
- Abra no mês 1 os acordos que demoram: Secretaria de Fazenda para o ISS, concessionárias para energia e água, meios de hospedagem para a ocupação.
- Só solicite a adesão à RITS-SP depois de ter 12 meses de série de pelo menos um indicador por eixo. Antes disso, o relatório inicial dos 90 dias não tem como ser cumprido.
- Defina desde já quem assina o boletim mensal. Produto sem responsável nomeado é o que para primeiro.
Quem quiser ver como isso aparece consolidado para o município, a demonstração está em circuito.tur.br/#demo.
Referências: Manual da Matriz de Indicadores de Sustentabilidade do Turismo, CIET/SETUR-SP e RITS-SP, outubro de 2025; Resolução SETUR-SP nº 34, de 7 de outubro de 2025, art. 7º; CIET/SETUR-SP, Observatórios de Turismo: conceito, primeiros passos e etapas de implantação.
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